Práticas Pedagógicas: Como promover a aprendizagem de adolescentes do século 21

Veja propostas para transformar a educação e conectá-la aos adolescentes do século 21

Porvir – Inovações em EducaçãoGrupo de Trabalho Anos Finais

Diagnóstico com os alunos: Realizar diagnóstico para saber quais são os interesses, desejos e necessidades dos estudantes e utilizar os resultados como base para o planejamento das práticas pedagógicas da escola e da rede.

Referências em práticas pedagógicas: Disponibilizar referências para que as escolas e os professores sejam capazes de conceber novas práticas pedagógicas e materiais didáticos; criar a cultura de troca de experiências entre professores e escolas da rede.

Aprendizagem contemporânea: Planejar e implementar práticas pedagógicas a partir dos interesses dos adolescentes e das necessidades do século 21, com o uso dos recursos e das tecnologias disponíveis na escola e na comunidade.

Estudante protagonista: Promover o uso de metodologias mais atrativas e ativas, em que os alunos sejam protagonistas; realizar atividades educativas que envolvam o aluno como construtor e condutor do seu processo de aprendizagem e desenvolvimento; investir na aprendizagem por autoria, trabalhando os componentes curriculares a partir de projetos construídos pelos próprios alunos.

Coautoria pedagógica: Criar e fortalecer mecanismos em que os estudantes sejam coautores de práticas pedagógicas, junto com seus professores.

Valorização dos estudantes: Valorizar os conhecimentos que os adolescentes já trazem consigo para a escola e as conquistas alcançadas no dia a dia, sempre acreditando no seu potencial.

Socialização: Propor e valorizar atividades educativas que gerem interação, colaboração e criação entre os estudantes.

Aprendizagem compartilhada: Estimular a prática de aprendizagem entre pares, criando momentos diversos em que os próprios alunos ensinam algo aos colegas.

Ressignificação do erro: Criar estratégias para ressignificar a noção de “erro”, de forma que seja percebido como necessário e orientador para o processo de desenvolvimento.

Reconhecimento: Reconhecer e celebrar as boas atitudes e conquistas dos estudantes.

Estímulo docente: Criar ambiente favorável à escuta, pesquisa, formação, estímulo e criação, para fomentar e apoiar professores no desenvolvimento e/ou implementação de práticas pedagógicas mais inovadoras; garantir carga horária para momentos de reflexão sobre a prática, rotina de estudo, identificação de lacunas, planejamento e construção de propostas.

Integração docente: Integrar a equipe docente em trabalhos pautados pelo compartilhamento, bem como pela criação e construção coletiva de conhecimentos.

Interdisciplinaridade: Promover projetos interdisciplinares, inclusive de ação continuada e de longo prazo; construir planejamentos por áreas do conhecimento, considerando e correlacionando os objetivos de aprendizagem de cada componente curricular.

Banco de referências e práticas: Criar um banco de metodologias, práticas e ferramentas para serem consultadas e adaptado à realidade de cada escola; disponibilizar essas referências em diferentes formatos e mídias (ex: imagens, som, escrita, vídeos etc), para facilitar o uso pelos professores; utilizar aplicativos de celular, site da secretaria de educação ou comunidade em redes sociais para divulgação do banco e das práticas na rede.

Compartilhamento de práticas: Promover espaços de compartilhamento de práticas entre professores, fortalecendo vínculos e estimulando a troca entre pares; apoiar educadores a sistematizar e monitorar suas práticas, construindo um sistema de documentação que facilite esse registro; incluir as práticas desses professores no banco de referências da rede.

Personalização: Desenvolver práticas pedagógicas diversificadas, que considerem o perfil, o ritmo e as especificidades de cada estudante, permitindo o aprendizado e o acompanhamento mais personalizado de cada aluno.

Experimentação: Desenvolver práticas pedagógicas que possibilitem aos estudantes colocar a “mão na massa”, aprendendo através de projetos, resolvendo problemas reais, criando e testando soluções concretas; promover atividades educativas que fomentem a experimentação, a inovação, a criação, o exercício da cidadania e o desenvolvimento integral dos alunos.

Pesquisa científica: Trabalhar projetos científicos com os alunos a partir de temas do seu interesse; estimular práticas de pesquisas com experimentação e reconhecimento de instituições de referência (feiras, exposições, concursos, parcerias com universidades etc.).

Tecnologias: Promover o uso pedagógico das tecnologias e da internet, utilizando-as a favor da realização de práticas mais inovadoras; usar a tecnologia de forma lúdica e criativa como ferramenta de estímulo ao engajamento, à aprendizagem e à colaboração entre os alunos; levar a tecnologia para a sala de aula e outros espaço da escola, extrapolando os limites do laboratório de informática.

Planejamento para a tecnologia: Realizar planejamentos específicos para o uso da tecnologia, definindo objetivos e formatos claros; estar atento para a rápida defasagem de ferramentas tecnológicas (computadores e tablets que ficam obsoletos); discutir com os alunos desejos e formatos para utilizar a tecnologia na escola de forma ampla; ampliar o entendimento e o repertório dos professores sobre os usos da tecnologia na educação.

Gamificação: Incentivar o uso de jogos na aprendizagem; planejar práticas pedagógicas utilizando a lógica dos games, incorporando elementos como aventura, competição e premiação.

Novas plataformas: Criar novas plataformas para apoiar a educação, como a “Centros Urbanos” e a “Faz Sentido“.

Sugestões de Atividades:

Leitura: Criar programas que estimulem o prazer pela leitura entre os adolescentes.

Iniciação científica: Criar programas de iniciação científica nas escolas.

Seminários: Propor seminários em grupo com os alunos.

Sustentabilidade: Promover ações e projetos no tema sustentabilidade e relacionados a outras causas voltadas à melhoria do mundo, que gerem engajamento e educação para a cidadania.

Cinema na escola: Realizar projetos de produção de curtas-metragens sobre temas relacionados à realidade dos estudantes.

Matemática em debate: Promover rodadas de diálogo sobre matemática, com foco em aprofundar os porquês das fórmulas e operações e desconstruir estigmas e bloqueios que interferem na aprendizagem desse componente curricular.

Para além dos muros: Propor práticas pedagógicas que envolvam agentes e espaços externos à escola, conectando a aprendizagem com o território e a cidade; valorizar a cultura local na qual a escola está inserida; criar ações específicas para integrar a comunidade local nos projetos da escola.

Porvir – Inovações em Educação

Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona

Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona é celebrado anualmente em 5 de maio. O dia foi criado em 2005, durante uma reunião em Luanda, Angola, dos ministros da cultura de sete países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Lusofonia

Lusófona é a comunidade formada pelos povos e nações que compartilham a língua e cultura portuguesas como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa, Damão e Diu e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. O Dia da Lusofonia é comemorado em 5 de maio, dia esse dedicado à língua, cultura e expressão portuguesa.

Caracterísitcas

Firmado o espaço continental português com a conquista do Algarve, os últimos reis da primeira dinastia dedicaram-se ao ordenamento do território nacional : promoveram o povoamento, a exploração agrícola, a criação de estruturas de comércio, a criação de defesas, já não tanto a sul como a leste, etc. Deste modo, a dinastia de Avis pôde empenhar-se em novo processo de expansão territorial, que teve início em 1415 com a tomada de Ceuta.

Seguiu-se a gesta dos Descobrimentos, que implicou a descoberta dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, a exploração de ambas as costas de África, a chegada à América do Sul (Brasil) e a várias paragens da Ásia, como Goa, Malaca e Timor.

Ao processo de formação do Império Colonial Português foram motivos de ordem econômica e político-estratégica que presidiram, aliados a uma certa curiosidade cultural e científica e a um intento de evangelização. Neste contexto, nem sempre o respeito pela identidade do indígena prevaleceu, mas deve, em todo o caso, reconhecer-se a coragem necessária ao enfrentar do desconhecido, que permitiu aos “descobridores”, exploradores e colonos a criação de alianças e fraternidades, transformando e deixando-se transformar. Do contacto com os povos encontrados resultou um forte intercâmbio de produtos, costumes, técnicas, conhecimentos (de medicina, náutica, biologia, etc.), bem como uma interpenetração mais profunda através da miscigenação.

Este longo processo histórico tem como consequência, na atualidade, uma identidade cultural partilhada por oito países, unidos por um passado vivido em comum e por uma língua que, enriquecida na sua diversidade, se reconhece como una. Estes países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, com os respectivos núcleos de emigrantes, fazem do idioma português uma das línguas mais faladas do mundo, constituindo uma comunidade de cerca de duzentos e quarenta milhões de pessoas. A Lusofonia pode ser também a plataforma a partir da qual os povos que hoje falam português se poderão aproximar e ampliar o âmbito e a ação da CPLP.

No passado, salientaram-se grandes vultos do diálogo intercultural como o Padre António Vieira, da aventura entre povos estranhos como Fernão Mendes Pinto, da exploração do espaço desconhecido como Gil Eanes,Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Serpa Pinto. Hoje em dia, entre os países lusófonos mantêm-se relações privilegiadas – na cooperação política e econômica, na educação e nas artes – e os grandes criadores da lusofonia não são apenas personalidades portuguesas mas também (para darmos exemplos da área das Letras) um Pepetela, um José Craveirinha, um Jorge Amado ou um Luandino Vieira.

Países onde o Português é Língua Oficial

País ou TerritórioPopulação (2019)ContinenteDenominação
Brasil211.994.695AméricaPortuguês do Brasil
Angola31.787.566ÁfricaPortuguês de Angola
Moçambique31.117.272ÁfricaPortuguês de Moçambique
Portugal10.264.164EuropaPortuguês Europeu
Guiné-Bissau1.941.521ÁfricaPortuguês da Guiné-Bissau
Timor-Leste1.344.944ÁsiaPortuguês de Timor-Leste
Guiné Equatorial1.347,90ÁfricaPortuguês da Guiné Equatorial
Macau639.558ÁsiaPortuguês de Macau
Cabo Verde558.514ÁfricaPortuguês Cabo-verdiano
São Tomé e Príncipe212.182ÁfricaPortuguês de São Tomé e Príncipe
Total289.860.4164Língua Portuguesa

Difusão do Português

O português, durante o período das grandes navegações se espalhou pelos cinco continentes. Línguas crioulas de base portuguesa também se desenvolveram nessa época.

Europa

Portugal

O português é falado como primeira língua em Portugal por quase todos os 10,6 milhões de habitantes do país. O ancestral do português moderno, galego-português, começou a se desenvolver no noroeste da Península Ibérica, em uma área que abrange o atual norte de Portugal e a Galícia, por volta do século IX. O português moderno começou a desenvolver no início do século XVI.

Resto da Europa

A língua galega, falada nativamente na Galiza, Espanha, é co-oficial com o espanhol na região. Foi na Galiza onde nasceu a língua portuguesa. De fato, tanto o galego quanto o português eram a mesma língua até a independência de Portugal, quando os dois idiomas e territórios começaram a se desenvolver de maneira diferente. Assim, o português tornou-se a língua oficial de Portugal, enquanto a Galiza e a sua língua eram subordinadas ao controle espanhol, uma situação que continua nos dias de hoje. Os imigrantes de língua portuguesa de Portugal, Brasil, África lusófona e Macau também se estabeleceram em Andorra (cerca de 15 000 oradores), Bélgica, França (cerca de 500 000 oradores), Alemanha, Luxemburgo, Espanha, Suíça e Reino Unido. No Luxemburgo, 19% da população fala Português como língua materna, tornando-se a maior língua minoritária em percentagem num país da Europa Ocidental.

Américas

Brasil

Dialetos do Português Brasileiro

1Caipira
2Costa norte
3Baiano
4Fluminense
5Gaúcho
6Mineiro
7Nordestino
8Nortista
9Paulistano
10Sertanejo
11Sulista
12Florianopolitano
13Carioca
14Brasiliense
15Serra amazônica
16Recifense

Com uma população de mais de 205 milhões, o Brasil é de longe a maior nação de língua portuguesa do mundo e a única das Américas. O português foi introduzido durante o período colonial português. O português também serviu como língua franca entre os vários grupos étnicos no Brasil e a população indígena nativa depois que os jesuítas foram expulsos de todos os territórios portugueses e as línguas associadas a eles proibidas. O português é a primeira língua da esmagadora maioria dos brasileiros, com 99,5%. Ele é seguido por vários dialetos alemães, como o hunsriqueano riograndense, falado por 1,94% da população.

A forma do português falado no Brasil é um pouco diferente do falado na Europa, com diferenças de vocabulário e gramática que podem ser comparadas às diferenças entre o inglês americano e britânico, no entanto, o português europeu e o português brasileiro são completamente inteligíveis entre si. A grande maioria das características brasileiras também é encontrada em alguns dialetos portugueses, enquanto quase todas as características europeias distintas podem ser encontradas em qualquer dialeto maior do Brasil. A migração do Brasil também levou a um grande número de falantes de português no Cone Sul, principalmente no Uruguai e no Paraguai (Português uruguaio e Brasiguaios), mas outras regiões. No Japão residem cerca de 400.000 brasileiros também chamados dekasseguis (os números oficiais não incluem falantes de português de segunda geração e cidadãos naturalizados), Coréia do Sul, Filipinas (ver brasileiros nas Filipinas) e Israel

Resto da América do Sul

Embora o Brasil seja o único país de língua portuguesa na América do Sul, possui a maior população, área e economia do continente. Assim, o bloco comercial sul-americano Mercosul usa o português ao lado do Castelhano como língua de trabalho. Um dialeto do português é falado na região norte do Uruguai. Dada a proximidade e as relações comerciais entre o Brasil de língua portuguesa e seus respectivos países de língua espanhola, o português é oferecido como um curso de segunda língua estrangeira (ou obrigatório) na maioria das escolas no Uruguai, Argentina, Paraguai, Venezuela e Bolívia. Na Venezuela e na Guiana, existem comunidades de imigrantes portugueses (principalmente madeirenses) e seus descendentes que falam português como sua língua nativa.

América do Norte

Existe mais de 1,5 milhões de Luso-americanos e cerca de 300.000 Brasilo-estadunidenses vivendo nos Estados Unidos, e o português é falado por mais de 730.000 pessoas em casa no país. Existem mais de 500.000 descendentes de portugueses que vivem no Canadá; No entanto, a maioria da população da comunidade agora fala inglês ou francês como idioma principal. Também uma língua principal junto com o inglês no Território Britânico das Bermudas. e no México existem pequenas comunidades de falantes de português.

África

Angola

O português é a única língua oficial de Angola e 85% da população professa fluência na língua. Além disso, 75% dos agregados familiares angolanos falam o português como língua materna e as línguas bantos nativas foram influenciadas pelos portugueses através de empréstimos.

Moçambique

O português é a única língua oficial de Moçambique e serve como língua franca entre os vários grupos étnicos do país. Pouco mais de 30% da população são falantes nativos de português, enquanto 65% professam fluência. A maioria dos meios de comunicação moçambicanos está disponível apenas em português e o país recebe várias estações de televisão portuguesas e brasileiras.

Guiné-Bissau

Apesar de ser a única língua oficial, apenas 50% da população professa fluência em português. No entanto, um crioulo de origem portuguesa chamado Crioulo da Guiné-Bissau é falado por quase toda a população.

Cabo Verde

A maioria dos cabo-verdianos é fluente em português a única língua oficial, um crioulo de origem portuguesa conhecido como Crioulo cabo-verdiano também é falado pela maioria da população. A educação e os meios de comunicação estão disponíveis em grande parte apenas no português padrão da Europa.

São Tomé e Príncipe

Em São Tomé e Príncipe, o português é de longe a língua mais falada, com cerca de 99% da população. Também se fala um crioulo de língua portuguesa chamado Forro.

Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial foi uma colônia espanhola entre 1778 e 1968 e portuguesa entre 1474 e 1778. Um idioma crioulo português é falado pelos habitantes locais na ilha de Ano-bom. Em 2007, o presidente Teodoro Obiang Nguema anunciou a decisão de tornar o português a terceira língua oficial do país depois do espanhol e do francês. Este foi um esforço do governo para melhorar suas comunicações, comércio e relações bilaterais com os países de língua portuguesa. Apesar das promoções do governo, o português raramente é falado na Guiné Equatorial, mas o aumento das relações políticas e comerciais com as nações de língua portuguesa, como Brasil, Angola e Portugal, aumentará em breve o número de falantes de português neste país. Notícias, esportes e mídia de entretenimento em português, sem dúvida, também facilitam o aumento da compreensão. A maioria da população (90%) ainda fala espanhol como idioma principal, e o espanhol ainda é o idioma administrativo e o da educação, enquanto o francês é o segundo idioma oficial.

Resto da África

Grandes comunidades de língua portuguesa são encontradas na Namíbia, África do Sul e Zâmbia devido à imigração dos países africanos lusófonos. O português também está sendo ensinado nas escolas desses países

Ásia e Oceania

Timor Leste

O português é co-oficial com o tétum em Timor Leste e foi introduzido durante o período colonial. Um pouco menos de 39% da população professa fluência em português. A língua tétum local tem sido fortemente influenciada pelo português por meio de empréstimos, e a troca de código entre as duas línguas é comum.

Macau

Placa em Macau escritas nas línguas oficiais, Português e Mandarim.

Devido a uma política de dois sistemas da China em relação às regiões administrativas especiais, Macau pode manter o português como língua oficial ao lado do cantonês. O português foi introduzido em Macau quando os comerciantes portugueses estabeleceram um assentamento permanente em 1537. Apesar de ser colônia portuguesa por mais de quatro séculos, a língua portuguesa nunca foi amplamente falada em Macau e permaneceu limitada à administração e ensino superior e foi falada principalmente pelo governo,foi apenas após o fim do domínio português, quando a língua portuguesa em Macau começou a ver um aumento de falantes devido ao aumento das relações comerciais da China com os países lusófonos. Houve um aumento no ensino de Português devido aos crescentes laços comerciais entre a China e nações lusófonas como Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Timor Leste, com 5.000 estudantes aprendendo a língua. Hoje, cerca de 3% da população de Macau fala português como primeira língua e 7% da população professa fluência. Um crioulo português chamado Macaunês era falado por macaenses de ascendência mista, mas está quase extinto hoje

Goa

O português está presente no enclave de Goa, que foi uma colônia portuguesa até 1961. Embora tenha sido o único idioma oficial durante o domínio colonial português, é falado principalmente pelas populações idosas e educadas de hoje e não é uma língua oficial. Pelo contrário, a língua oficial do estado de Goa é o Concani, que adquiriu vários empréstimos como legado da influência portuguesa . As tentativas de fazer o Concani ser escrito no alfabeto Português e de reintroduzir o Português como língua co-oficial de Goa foram feitas nos últimos anos, atualmente Português está sendo ensinado por lá. O domínio português em Damão e Diu também deixou uma pequena influência portuguesa no território. Um crioulo de língua portuguesa chamado Língua da Casa é falado no território. O português ainda é ensinado em algumas escolas de Goa.

Resto da Asía

O português é falado no Japão entre os imigrantes retornados (500.000) e imigrantes do Brasil conhecidos como dekasseguis. Empréstimos portugueses também estão presentes no idioma japonês devido às relações comerciais entre o Japão e o Império Português no século XVI. Em Malaca, na Malásia, um crioulo português conhecido como Papiá ou Cristão ainda é falado.

Arte e Sociedade

Sala dos Espelhoswww.filosofiaesoterica.com

José De Nicola

Quando se fala da sociologia da arte, costuma-se pensar antes na influência da arte sobre a sociedade do que na influência originada na sociedade e expressada na arte. Costuma-se pensar isso apesar de a arte ser tanto produto como instrumento da influência e introduzir mudanças sociais, modificando-se, por sua vez, com elas. Arte e sociedade não mantêm nenhuma relação unilateral de sujeito-objeto; tanto uma como outra podem desempenhar a função de sujeito ou de objeto.

HAUSER, Arnold. In: Sociología del Arte.

O texto acima aponta para um aspecto muito importante para iniciarmos uma conversa sobre arte: a obra de arte é um produto social e, como tal, é produzida em determinado momento e lugar, ou seja, numa determinada sociedade; por isso, expressa uma forma de ler essa sociedade, posiciona-se em relação a essa sociedade que, no limite, reafirma ou contesta seus valores. Isso resulta num jogo em que tanto a obra de arte como a sociedade são motores que acionam mudanças: a sociedade muda e gera uma obra de arte com diferente leitura dessa sociedade; a obra de arte, ao reafirmar ou questionar valores, gera mudanças na sociedade. Arnold Hauser, comentando esse aspecto utiliza uma imagem muito didática: a de uma sala de espelhos onde um reflete o outro, infinitamente.

Ao falarmos em arte e sociedade, não podemos deixar de lado dois autores fundamentais: o artista e o apreciador da obra de arte. O artista deve ser visto como um ser talentoso, com uma sensibilidade muito apurada que o leva a perceber o mundo à sua volta de uma maneira especial, com absoluto domínio de uma determinada linguagem, e, ao mesmo tempo, como um cidadão, um trabalhador, com todos os compromissos sociais de alguém que vive em uma sociedade organizada, com inúmeros direitos e deveres. Ou, como afirma Marilena Chaui, em seu livro Convite à Filosofia: “O artista é um ser social que busca exprimir seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres humanos, reflete sobre a sociedade, volta-se para ela, seja para criticá-la, seja para afirmá-la, seja para superá-la”.

Finalmente, é preciso salientar o papel do apreciador da obra de arte, que deve promover uma leitura interativa. Ou seja, ele também deve entrar na sala de espelhos e estabelecer uma relação de dependência mútua e ininterrupta com a obra de arte, lembrando sempre que ela é a materialização de uma ideia e se expressa por uma linguagem, o que nos permite afirmar que ela “significa”, ou seja, fala, comunica, pode e deve ser lida pelo outro. Assim, o sentido de uma obra é construído pelo artista, que a produz, e pelo apreciador da arte, que a lê, analisa, interpreta.

NICOLA, José De. Língua, literatura e produção de textos. Vol. 1. Ensino Médio. São Paulo: Editora Scipione, 2009.

Texto literário, texto não-literário

Domício Proença Filho

Imaginemos que, na comunicação cotidiana, alguém nos diga a seguinte frase:

— Uma flor nasceu no chão da minha rua!

Conforme as circunstâncias em que é dita, isto é, de acordo com a situação de fala, entendemos que se refere a algo que realmente ocorreu, corresponde a um fato anterior ao seu enunciado e de fácil comprovação. Mesmo diante de sua transcrição escrita, o que nela se comunica basicamente permanece.

Num ou noutro caso, para veicular essa informação, o nosso interlocutor selecionou uma série de palavras do idioma que nos é comum e, de acordo com as regras que presidem o seu funcionamento e que todos conhecemos, as dispôs numa sequência. A seleção feita e a sucessão estabelecida conferem à frase uma significação que pode ser submetida à prova da verdade em relação à realidade imediata. Como é fácil concluir, é isso que acontece ao nos comunicarmos no dia-a-dia do nosso convívio social.

Retomemos a nossa frase inicial, agora ligeiramente modificada e combinada com outros elementos:

Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros, É feia. Mas é realmente uma flor.

Percebemos, desde logo, que estamos diante de uma utilização especial da língua que falamos. O ritmo que caracteriza o texto, a natureza do que se comunica e, ao chegar até nós por escrito, a distribuição das palavras no espaço do papel justificam essa conclusão. A nossa frase-exemplo depende também, como ato linguístico que é, da gesticulação e da entoação que a acompanharem ao ser enunciada; por força, entretanto, de sua situação nesse conjunto e da associação com as demais afirmações que a ela se vinculam, abre-se para um sentido múltiplo, ganha marcas de ambiguidade: no contexto do fragmento transcrito e da totalidade do poema de que faz parte “A flor e a náusea”, de Carlos Drummond de Andrade¹, podemos entender essa flor como esperança de mudança, por exemplo. Mas esse sentido que o texto a ela confere não reproduz nenhuma realidade imediata; nasce tão-somente do próprio texto. A flor dessa rua deixa de ser um elemento vegetal para alçar-se à condição de símbolo, ganha uma significação que vai além do real concreto e que passa a existir em função do conjunto em que a palavra se encontra. É claro que os versos remetem a uma realidade dos homens e do mundo, mas para além da realidade imediatamente perceptível e traduzida no discurso comum das pessoas, li o que acontece com essa modalidade de linguagem, a linguagem da literatura, tanto na prosa como nas manifestações em verso.

Na prosa, por exemplo, podemos encontrar a palavra flor em outro contexto linguístico e com outro sentido, que lhe é conferido exatamente por essa nova circunstância: trata-se do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, em que o termo aparece numa afirmação vinculada a um famoso personagem criado pelo escritor: “Uma flor, o Quincas Borba”².

Aí está um conteúdo inteiramente distinto do que se configura no poema drummondiano e que só pode ser percebido de maneira plena quando a frase é considerada na totalidade do romance em que se insere. É possível perceber a estreita relação entre a dimensão linguística e a dimensão literária que envolve a significação das palavras quando estas integram o sistema semiótico que é o texto literário.

Os três exemplos que acabamos de examinar permitem algumas conclusões.

A fala ou discurso é, no uso cotidiano, um instrumento da informação e da ação. A significação das palavras, nesse caso, tem por base o jogo de relações configuradoras do idioma que falamos. Vincula-se a uma verdade de correspondência.

O mesmo não acontece com o discurso literário. Este se encontra a serviço da criação artística. O texto da literatura é um objeto de linguagem ao qual se associa uma representação de realidades físicas, sociais e emocionais mediatizadas pelas palavras da língua na configuração de um objeto estético. O texto repercute em nós na medida em que revele marcas profundas de psiquismo, coincidentes com as que em nós se abriguem como seres sociais. O artista da palavra, co-partícipe da nossa humanidade, incorpora elementos dessa dimensão que nos são culturalmente comuns. Nosso entendimento do que nele se comunica passa a ser proporcional ao nosso repertório cultural, enquanto receptores e usuários de um saber comum.

O discurso literário traz, em certa medida, a marca da opacidade: abre-se a um tipo específico de descodificação ligado à capacidade e ao universo cultural do receptor.

Já se percebe o alto índice de multissignificação dessa modalidade de linguagem que, de antemão, quando com ela travamos contato, sabemos ser especial e distinta da modalidade própria do uso cotidiano. Quem se aproxima do texto literário sabe a priori que está diante de manifestação da literatura.

¹ ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. In:__Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro/Brasília: J. Olympio/INL, 1983. v. 1, p. 112-3.
² MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. In: __Obra completa. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1959. v. 1, p. 433.

PROENÇA FILHO, Domício. A linguagem literária. Série Princípios. São Paulo: Ática, 2007.