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Dia Mundial do Rádio

Dia Mundial do Rádio é comemorado anualmente em 13 de Fevereiro.

A data tem o objetivo de conscientizar os grandes grupos radiofônicos e as rádios comunitárias da importância do acesso à informação, da liberdade de gênero e expressão dentro deste setor da comunicação.

Entre os meios de comunicação tecnológicos que existem na atualidade, o rádio continua a ser o que atinge as maiores audiências, continuando a adaptar-se às novas tecnologias e aos novos equipamentos. O rádio funciona seja como uma ferramenta de apoio ao debate e comunicação, na promoção cultural ou em casos de emergência social.

A rádio esteve presente acompanhando os principais acontecimentos históricos mundiais e hoje continua a ser um meio de comunicação fundamental.

Origem do Dia Mundial do Rádio

Dia Mundial do Rádio é comemorado em 13 de Fevereiro em homenagem à primeira emissão de um programa da United Nations Radio (Rádio das Nações Unidas), em 1946. A transmissão do programa foi em simultâneo para um grupo de seis países.

A data foi criada e oficializada em 2011, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). O primeiro Dia Mundial do Rádio foi celebrado apenas em 2012.

Calendarr Brasil – Dia Mundial do Rádio | 13 de Fevereiro

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Práticas Pedagógicas: Como promover a aprendizagem de adolescentes do século 21

Veja Propostas para Transformar a Educação e Conectá-la aos Adolescentes do Século 21

Porvir – Inovações em EducaçãoGrupo de Trabalho Anos Finais

Diagnóstico com os alunos: Realizar diagnóstico para saber quais são os interesses, desejos e necessidades dos estudantes e utilizar os resultados como base para o planejamento das práticas pedagógicas da escola e da rede.

Referências em práticas pedagógicas: Disponibilizar referências para que as escolas e os professores sejam capazes de conceber novas práticas pedagógicas e materiais didáticos; criar a cultura de troca de experiências entre professores e escolas da rede.

Aprendizagem contemporânea: Planejar e implementar práticas pedagógicas a partir dos interesses dos adolescentes e das necessidades do século 21, com o uso dos recursos e das tecnologias disponíveis na escola e na comunidade.

Estudante protagonista: Promover o uso de metodologias mais atrativas e ativas, em que os alunos sejam protagonistas; realizar atividades educativas que envolvam o aluno como construtor e condutor do seu processo de aprendizagem e desenvolvimento; investir na aprendizagem por autoria, trabalhando os componentes curriculares a partir de projetos construídos pelos próprios alunos.

Coautoria pedagógica: Criar e fortalecer mecanismos em que os estudantes sejam coautores de práticas pedagógicas, junto com seus professores.

Valorização dos estudantes: Valorizar os conhecimentos que os adolescentes já trazem consigo para a escola e as conquistas alcançadas no dia a dia, sempre acreditando no seu potencial.

Socialização: Propor e valorizar atividades educativas que gerem interação, colaboração e criação entre os estudantes.

Aprendizagem compartilhada: Estimular a prática de aprendizagem entre pares, criando momentos diversos em que os próprios alunos ensinam algo aos colegas.

Ressignificação do erro: Criar estratégias para ressignificar a noção de “erro”, de forma que seja percebido como necessário e orientador para o processo de desenvolvimento.

Reconhecimento: Reconhecer e celebrar as boas atitudes e conquistas dos estudantes.

Estímulo docente: Criar ambiente favorável à escuta, pesquisa, formação, estímulo e criação, para fomentar e apoiar professores no desenvolvimento e/ou implementação de práticas pedagógicas mais inovadoras; garantir carga horária para momentos de reflexão sobre a prática, rotina de estudo, identificação de lacunas, planejamento e construção de propostas.

Integração docente: Integrar a equipe docente em trabalhos pautados pelo compartilhamento, bem como pela criação e construção coletiva de conhecimentos.

Interdisciplinaridade: Promover projetos interdisciplinares, inclusive de ação continuada e de longo prazo; construir planejamentos por áreas do conhecimento, considerando e correlacionando os objetivos de aprendizagem de cada componente curricular.

Banco de referências e práticas: Criar um banco de metodologias, práticas e ferramentas para serem consultadas e adaptado à realidade de cada escola; disponibilizar essas referências em diferentes formatos e mídias (ex: imagens, som, escrita, vídeos etc), para facilitar o uso pelos professores; utilizar aplicativos de celular, site da secretaria de educação ou comunidade em redes sociais para divulgação do banco e das práticas na rede.

Compartilhamento de práticas: Promover espaços de compartilhamento de práticas entre professores, fortalecendo vínculos e estimulando a troca entre pares; apoiar educadores a sistematizar e monitorar suas práticas, construindo um sistema de documentação que facilite esse registro; incluir as práticas desses professores no banco de referências da rede.

Personalização: Desenvolver práticas pedagógicas diversificadas, que considerem o perfil, o ritmo e as especificidades de cada estudante, permitindo o aprendizado e o acompanhamento mais personalizado de cada aluno.

Experimentação: Desenvolver práticas pedagógicas que possibilitem aos estudantes colocar a “mão na massa”, aprendendo através de projetos, resolvendo problemas reais, criando e testando soluções concretas; promover atividades educativas que fomentem a experimentação, a inovação, a criação, o exercício da cidadania e o desenvolvimento integral dos alunos.

Pesquisa científica: Trabalhar projetos científicos com os alunos a partir de temas do seu interesse; estimular práticas de pesquisas com experimentação e reconhecimento de instituições de referência (feiras, exposições, concursos, parcerias com universidades etc.).

Tecnologias: Promover o uso pedagógico das tecnologias e da internet, utilizando-as a favor da realização de práticas mais inovadoras; usar a tecnologia de forma lúdica e criativa como ferramenta de estímulo ao engajamento, à aprendizagem e à colaboração entre os alunos; levar a tecnologia para a sala de aula e outros espaço da escola, extrapolando os limites do laboratório de informática.

Planejamento para a tecnologia: Realizar planejamentos específicos para o uso da tecnologia, definindo objetivos e formatos claros; estar atento para a rápida defasagem de ferramentas tecnológicas (computadores e tablets que ficam obsoletos); discutir com os alunos desejos e formatos para utilizar a tecnologia na escola de forma ampla; ampliar o entendimento e o repertório dos professores sobre os usos da tecnologia na educação.

Gamificação: Incentivar o uso de jogos na aprendizagem; planejar práticas pedagógicas utilizando a lógica dos games, incorporando elementos como aventura, competição e premiação.

Novas plataformas: Criar novas plataformas para apoiar a educação, como a “Centros Urbanos” e a “Faz Sentido“.

Sugestões de Atividades:

Leitura: Criar programas que estimulem o prazer pela leitura entre os adolescentes.

Iniciação científica: Criar programas de iniciação científica nas escolas.

Seminários: Propor seminários em grupo com os alunos.

Sustentabilidade: Promover ações e projetos no tema sustentabilidade e relacionados a outras causas voltadas à melhoria do mundo, que gerem engajamento e educação para a cidadania.

Cinema na escola: Realizar projetos de produção de curtas-metragens sobre temas relacionados à realidade dos estudantes.

Matemática em debate: Promover rodadas de diálogo sobre matemática, com foco em aprofundar os porquês das fórmulas e operações e desconstruir estigmas e bloqueios que interferem na aprendizagem desse componente curricular.

Para além dos muros: Propor práticas pedagógicas que envolvam agentes e espaços externos à escola, conectando a aprendizagem com o território e a cidade; valorizar a cultura local na qual a escola está inserida; criar ações específicas para integrar a comunidade local nos projetos da escola.

Porvir – Inovações em Educação

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Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona

Dia da Língua Portuguesa e da Cultura Lusófona é celebrado anualmente em 5 de maio. O dia foi criado em 2005, durante uma reunião em Luanda, Angola, dos ministros da cultura de sete países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Lusofonia

Lusófona é a comunidade formada pelos povos e nações que compartilham a língua e cultura portuguesas como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa, Damão e Diu e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. O Dia da Lusofonia é comemorado em 5 de maio, dia esse dedicado à língua, cultura e expressão portuguesa.

Caracterísitcas

Firmado o espaço continental português com a conquista do Algarve, os últimos reis da primeira dinastia dedicaram-se ao ordenamento do território nacional : promoveram o povoamento, a exploração agrícola, a criação de estruturas de comércio, a criação de defesas, já não tanto a sul como a leste, etc. Deste modo, a dinastia de Avis pôde empenhar-se em novo processo de expansão territorial, que teve início em 1415 com a tomada de Ceuta.

Seguiu-se a gesta dos Descobrimentos, que implicou a descoberta dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, a exploração de ambas as costas de África, a chegada à América do Sul (Brasil) e a várias paragens da Ásia, como Goa, Malaca e Timor.

Ao processo de formação do Império Colonial Português foram motivos de ordem econômica e político-estratégica que presidiram, aliados a uma certa curiosidade cultural e científica e a um intento de evangelização. Neste contexto, nem sempre o respeito pela identidade do indígena prevaleceu, mas deve, em todo o caso, reconhecer-se a coragem necessária ao enfrentar do desconhecido, que permitiu aos “descobridores”, exploradores e colonos a criação de alianças e fraternidades, transformando e deixando-se transformar. Do contacto com os povos encontrados resultou um forte intercâmbio de produtos, costumes, técnicas, conhecimentos (de medicina, náutica, biologia, etc.), bem como uma interpenetração mais profunda através da miscigenação.

Este longo processo histórico tem como consequência, na atualidade, uma identidade cultural partilhada por oito países, unidos por um passado vivido em comum e por uma língua que, enriquecida na sua diversidade, se reconhece como una. Estes países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste -, com os respectivos núcleos de emigrantes, fazem do idioma português uma das línguas mais faladas do mundo, constituindo uma comunidade de cerca de duzentos e quarenta milhões de pessoas. A Lusofonia pode ser também a plataforma a partir da qual os povos que hoje falam português se poderão aproximar e ampliar o âmbito e a ação da CPLP.

No passado, salientaram-se grandes vultos do diálogo intercultural como o Padre António Vieira, da aventura entre povos estranhos como Fernão Mendes Pinto, da exploração do espaço desconhecido como Gil Eanes,Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Serpa Pinto. Hoje em dia, entre os países lusófonos mantêm-se relações privilegiadas – na cooperação política e econômica, na educação e nas artes – e os grandes criadores da lusofonia não são apenas personalidades portuguesas mas também (para darmos exemplos da área das Letras) um Pepetela, um José Craveirinha, um Jorge Amado ou um Luandino Vieira.

Países onde o Português é Língua Oficial

País ou TerritórioPopulação (2019)ContinenteDenominação
Brasil211.994.695AméricaPortuguês do Brasil
Angola31.787.566ÁfricaPortuguês de Angola
Moçambique31.117.272ÁfricaPortuguês de Moçambique
Portugal10.264.164EuropaPortuguês Europeu
Guiné-Bissau1.941.521ÁfricaPortuguês da Guiné-Bissau
Timor-Leste1.344.944ÁsiaPortuguês de Timor-Leste
Guiné Equatorial1.347,90ÁfricaPortuguês da Guiné Equatorial
Macau639.558ÁsiaPortuguês de Macau
Cabo Verde558.514ÁfricaPortuguês Cabo-verdiano
São Tomé e Príncipe212.182ÁfricaPortuguês de São Tomé e Príncipe
Total289.860.4164Língua Portuguesa

Difusão do Português

O português, durante o período das grandes navegações se espalhou pelos cinco continentes. Línguas crioulas de base portuguesa também se desenvolveram nessa época.

Europa

Portugal

O português é falado como primeira língua em Portugal por quase todos os 10,6 milhões de habitantes do país. O ancestral do português moderno, galego-português, começou a se desenvolver no noroeste da Península Ibérica, em uma área que abrange o atual norte de Portugal e a Galícia, por volta do século IX. O português moderno começou a desenvolver no início do século XVI.

Resto da Europa

A língua galega, falada nativamente na Galiza, Espanha, é co-oficial com o espanhol na região. Foi na Galiza onde nasceu a língua portuguesa. De fato, tanto o galego quanto o português eram a mesma língua até a independência de Portugal, quando os dois idiomas e territórios começaram a se desenvolver de maneira diferente. Assim, o português tornou-se a língua oficial de Portugal, enquanto a Galiza e a sua língua eram subordinadas ao controle espanhol, uma situação que continua nos dias de hoje. Os imigrantes de língua portuguesa de Portugal, Brasil, África lusófona e Macau também se estabeleceram em Andorra (cerca de 15 000 oradores), Bélgica, França (cerca de 500 000 oradores), Alemanha, Luxemburgo, Espanha, Suíça e Reino Unido. No Luxemburgo, 19% da população fala Português como língua materna, tornando-se a maior língua minoritária em percentagem num país da Europa Ocidental.

Américas

Brasil

Dialetos do Português Brasileiro

1Caipira
2Costa norte
3Baiano
4Fluminense
5Gaúcho
6Mineiro
7Nordestino
8Nortista
9Paulistano
10Sertanejo
11Sulista
12Florianopolitano
13Carioca
14Brasiliense
15Serra amazônica
16Recifense

Com uma população de mais de 205 milhões, o Brasil é de longe a maior nação de língua portuguesa do mundo e a única das Américas. O português foi introduzido durante o período colonial português. O português também serviu como língua franca entre os vários grupos étnicos no Brasil e a população indígena nativa depois que os jesuítas foram expulsos de todos os territórios portugueses e as línguas associadas a eles proibidas. O português é a primeira língua da esmagadora maioria dos brasileiros, com 99,5%. Ele é seguido por vários dialetos alemães, como o hunsriqueano riograndense, falado por 1,94% da população.

A forma do português falado no Brasil é um pouco diferente do falado na Europa, com diferenças de vocabulário e gramática que podem ser comparadas às diferenças entre o inglês americano e britânico, no entanto, o português europeu e o português brasileiro são completamente inteligíveis entre si. A grande maioria das características brasileiras também é encontrada em alguns dialetos portugueses, enquanto quase todas as características europeias distintas podem ser encontradas em qualquer dialeto maior do Brasil. A migração do Brasil também levou a um grande número de falantes de português no Cone Sul, principalmente no Uruguai e no Paraguai (Português uruguaio e Brasiguaios), mas outras regiões. No Japão residem cerca de 400.000 brasileiros também chamados dekasseguis (os números oficiais não incluem falantes de português de segunda geração e cidadãos naturalizados), Coréia do Sul, Filipinas (ver brasileiros nas Filipinas) e Israel

Resto da América do Sul

Embora o Brasil seja o único país de língua portuguesa na América do Sul, possui a maior população, área e economia do continente. Assim, o bloco comercial sul-americano Mercosul usa o português ao lado do Castelhano como língua de trabalho. Um dialeto do português é falado na região norte do Uruguai. Dada a proximidade e as relações comerciais entre o Brasil de língua portuguesa e seus respectivos países de língua espanhola, o português é oferecido como um curso de segunda língua estrangeira (ou obrigatório) na maioria das escolas no Uruguai, Argentina, Paraguai, Venezuela e Bolívia. Na Venezuela e na Guiana, existem comunidades de imigrantes portugueses (principalmente madeirenses) e seus descendentes que falam português como sua língua nativa.

América do Norte

Existe mais de 1,5 milhões de Luso-americanos e cerca de 300.000 Brasilo-estadunidenses vivendo nos Estados Unidos, e o português é falado por mais de 730.000 pessoas em casa no país. Existem mais de 500.000 descendentes de portugueses que vivem no Canadá; No entanto, a maioria da população da comunidade agora fala inglês ou francês como idioma principal. Também uma língua principal junto com o inglês no Território Britânico das Bermudas. e no México existem pequenas comunidades de falantes de português.

África

Angola

O português é a única língua oficial de Angola e 85% da população professa fluência na língua. Além disso, 75% dos agregados familiares angolanos falam o português como língua materna e as línguas bantos nativas foram influenciadas pelos portugueses através de empréstimos.

Moçambique

O português é a única língua oficial de Moçambique e serve como língua franca entre os vários grupos étnicos do país. Pouco mais de 30% da população são falantes nativos de português, enquanto 65% professam fluência. A maioria dos meios de comunicação moçambicanos está disponível apenas em português e o país recebe várias estações de televisão portuguesas e brasileiras.

Guiné-Bissau

Apesar de ser a única língua oficial, apenas 50% da população professa fluência em português. No entanto, um crioulo de origem portuguesa chamado Crioulo da Guiné-Bissau é falado por quase toda a população.

Cabo Verde

A maioria dos cabo-verdianos é fluente em português a única língua oficial, um crioulo de origem portuguesa conhecido como Crioulo cabo-verdiano também é falado pela maioria da população. A educação e os meios de comunicação estão disponíveis em grande parte apenas no português padrão da Europa.

São Tomé e Príncipe

Em São Tomé e Príncipe, o português é de longe a língua mais falada, com cerca de 99% da população. Também se fala um crioulo de língua portuguesa chamado Forro.

Guiné Equatorial

A Guiné Equatorial foi uma colônia espanhola entre 1778 e 1968 e portuguesa entre 1474 e 1778. Um idioma crioulo português é falado pelos habitantes locais na ilha de Ano-bom. Em 2007, o presidente Teodoro Obiang Nguema anunciou a decisão de tornar o português a terceira língua oficial do país depois do espanhol e do francês. Este foi um esforço do governo para melhorar suas comunicações, comércio e relações bilaterais com os países de língua portuguesa. Apesar das promoções do governo, o português raramente é falado na Guiné Equatorial, mas o aumento das relações políticas e comerciais com as nações de língua portuguesa, como Brasil, Angola e Portugal, aumentará em breve o número de falantes de português neste país. Notícias, esportes e mídia de entretenimento em português, sem dúvida, também facilitam o aumento da compreensão. A maioria da população (90%) ainda fala espanhol como idioma principal, e o espanhol ainda é o idioma administrativo e o da educação, enquanto o francês é o segundo idioma oficial.

Resto da África

Grandes comunidades de língua portuguesa são encontradas na Namíbia, África do Sul e Zâmbia devido à imigração dos países africanos lusófonos. O português também está sendo ensinado nas escolas desses países

Ásia e Oceania

Timor Leste

O português é co-oficial com o tétum em Timor Leste e foi introduzido durante o período colonial. Um pouco menos de 39% da população professa fluência em português. A língua tétum local tem sido fortemente influenciada pelo português por meio de empréstimos, e a troca de código entre as duas línguas é comum.

Macau

Placa em Macau escritas nas línguas oficiais, Português e Mandarim.

Devido a uma política de dois sistemas da China em relação às regiões administrativas especiais, Macau pode manter o português como língua oficial ao lado do cantonês. O português foi introduzido em Macau quando os comerciantes portugueses estabeleceram um assentamento permanente em 1537. Apesar de ser colônia portuguesa por mais de quatro séculos, a língua portuguesa nunca foi amplamente falada em Macau e permaneceu limitada à administração e ensino superior e foi falada principalmente pelo governo,foi apenas após o fim do domínio português, quando a língua portuguesa em Macau começou a ver um aumento de falantes devido ao aumento das relações comerciais da China com os países lusófonos. Houve um aumento no ensino de Português devido aos crescentes laços comerciais entre a China e nações lusófonas como Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Timor Leste, com 5.000 estudantes aprendendo a língua. Hoje, cerca de 3% da população de Macau fala português como primeira língua e 7% da população professa fluência. Um crioulo português chamado Macaunês era falado por macaenses de ascendência mista, mas está quase extinto hoje

Goa

O português está presente no enclave de Goa, que foi uma colônia portuguesa até 1961. Embora tenha sido o único idioma oficial durante o domínio colonial português, é falado principalmente pelas populações idosas e educadas de hoje e não é uma língua oficial. Pelo contrário, a língua oficial do estado de Goa é o Concani, que adquiriu vários empréstimos como legado da influência portuguesa . As tentativas de fazer o Concani ser escrito no alfabeto Português e de reintroduzir o Português como língua co-oficial de Goa foram feitas nos últimos anos, atualmente Português está sendo ensinado por lá. O domínio português em Damão e Diu também deixou uma pequena influência portuguesa no território. Um crioulo de língua portuguesa chamado Língua da Casa é falado no território. O português ainda é ensinado em algumas escolas de Goa.

Resto da Asía

O português é falado no Japão entre os imigrantes retornados (500.000) e imigrantes do Brasil conhecidos como dekasseguis. Empréstimos portugueses também estão presentes no idioma japonês devido às relações comerciais entre o Japão e o Império Português no século XVI. Em Malaca, na Malásia, um crioulo português conhecido como Papiá ou Cristão ainda é falado.

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Arte e Sociedade

Sala dos Espelhoswww.filosofiaesoterica.com

José De Nicola

Quando se fala da sociologia da arte, costuma-se pensar antes na influência da arte sobre a sociedade do que na influência originada na sociedade e expressada na arte. Costuma-se pensar isso apesar de a arte ser tanto produto como instrumento da influência e introduzir mudanças sociais, modificando-se, por sua vez, com elas. Arte e sociedade não mantêm nenhuma relação unilateral de sujeito-objeto; tanto uma como outra podem desempenhar a função de sujeito ou de objeto.

HAUSER, Arnold. In: Sociología del Arte.

O texto acima aponta para um aspecto muito importante para iniciarmos uma conversa sobre arte: a obra de arte é um produto social e, como tal, é produzida em determinado momento e lugar, ou seja, numa determinada sociedade; por isso, expressa uma forma de ler essa sociedade, posiciona-se em relação a essa sociedade que, no limite, reafirma ou contesta seus valores. Isso resulta num jogo em que tanto a obra de arte como a sociedade são motores que acionam mudanças: a sociedade muda e gera uma obra de arte com diferente leitura dessa sociedade; a obra de arte, ao reafirmar ou questionar valores, gera mudanças na sociedade. Arnold Hauser, comentando esse aspecto utiliza uma imagem muito didática: a de uma sala de espelhos onde um reflete o outro, infinitamente.

Ao falarmos em arte e sociedade, não podemos deixar de lado dois autores fundamentais: o artista e o apreciador da obra de arte. O artista deve ser visto como um ser talentoso, com uma sensibilidade muito apurada que o leva a perceber o mundo à sua volta de uma maneira especial, com absoluto domínio de uma determinada linguagem, e, ao mesmo tempo, como um cidadão, um trabalhador, com todos os compromissos sociais de alguém que vive em uma sociedade organizada, com inúmeros direitos e deveres. Ou, como afirma Marilena Chaui, em seu livro Convite à Filosofia: “O artista é um ser social que busca exprimir seu modo de estar no mundo na companhia dos outros seres humanos, reflete sobre a sociedade, volta-se para ela, seja para criticá-la, seja para afirmá-la, seja para superá-la”.

Finalmente, é preciso salientar o papel do apreciador da obra de arte, que deve promover uma leitura interativa. Ou seja, ele também deve entrar na sala de espelhos e estabelecer uma relação de dependência mútua e ininterrupta com a obra de arte, lembrando sempre que ela é a materialização de uma ideia e se expressa por uma linguagem, o que nos permite afirmar que ela “significa”, ou seja, fala, comunica, pode e deve ser lida pelo outro. Assim, o sentido de uma obra é construído pelo artista, que a produz, e pelo apreciador da arte, que a lê, analisa, interpreta.

NICOLA, José De. Língua, literatura e produção de textos. Vol. 1. Ensino Médio. São Paulo: Editora Scipione, 2009.

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Texto literário, texto não-literário

Domício Proença Filho

Imaginemos que, na comunicação cotidiana, alguém nos diga a seguinte frase:

— Uma flor nasceu no chão da minha rua!

Conforme as circunstâncias em que é dita, isto é, de acordo com a situação de fala, entendemos que se refere a algo que realmente ocorreu, corresponde a um fato anterior ao seu enunciado e de fácil comprovação. Mesmo diante de sua transcrição escrita, o que nela se comunica basicamente permanece.

Num ou noutro caso, para veicular essa informação, o nosso interlocutor selecionou uma série de palavras do idioma que nos é comum e, de acordo com as regras que presidem o seu funcionamento e que todos conhecemos, as dispôs numa sequência. A seleção feita e a sucessão estabelecida conferem à frase uma significação que pode ser submetida à prova da verdade em relação à realidade imediata. Como é fácil concluir, é isso que acontece ao nos comunicarmos no dia-a-dia do nosso convívio social.

Retomemos a nossa frase inicial, agora ligeiramente modificada e combinada com outros elementos:

Uma flor nasceu na rua! Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego. Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto. Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe. Suas pétalas não se abrem. Seu nome não está nos livros, É feia. Mas é realmente uma flor.

Percebemos, desde logo, que estamos diante de uma utilização especial da língua que falamos. O ritmo que caracteriza o texto, a natureza do que se comunica e, ao chegar até nós por escrito, a distribuição das palavras no espaço do papel justificam essa conclusão. A nossa frase-exemplo depende também, como ato linguístico que é, da gesticulação e da entoação que a acompanharem ao ser enunciada; por força, entretanto, de sua situação nesse conjunto e da associação com as demais afirmações que a ela se vinculam, abre-se para um sentido múltiplo, ganha marcas de ambiguidade: no contexto do fragmento transcrito e da totalidade do poema de que faz parte “A flor e a náusea”, de Carlos Drummond de Andrade¹, podemos entender essa flor como esperança de mudança, por exemplo. Mas esse sentido que o texto a ela confere não reproduz nenhuma realidade imediata; nasce tão-somente do próprio texto. A flor dessa rua deixa de ser um elemento vegetal para alçar-se à condição de símbolo, ganha uma significação que vai além do real concreto e que passa a existir em função do conjunto em que a palavra se encontra. É claro que os versos remetem a uma realidade dos homens e do mundo, mas para além da realidade imediatamente perceptível e traduzida no discurso comum das pessoas, li o que acontece com essa modalidade de linguagem, a linguagem da literatura, tanto na prosa como nas manifestações em verso.

Na prosa, por exemplo, podemos encontrar a palavra flor em outro contexto linguístico e com outro sentido, que lhe é conferido exatamente por essa nova circunstância: trata-se do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, em que o termo aparece numa afirmação vinculada a um famoso personagem criado pelo escritor: “Uma flor, o Quincas Borba”².

Aí está um conteúdo inteiramente distinto do que se configura no poema drummondiano e que só pode ser percebido de maneira plena quando a frase é considerada na totalidade do romance em que se insere. É possível perceber a estreita relação entre a dimensão linguística e a dimensão literária que envolve a significação das palavras quando estas integram o sistema semiótico que é o texto literário.

Os três exemplos que acabamos de examinar permitem algumas conclusões.

A fala ou discurso é, no uso cotidiano, um instrumento da informação e da ação. A significação das palavras, nesse caso, tem por base o jogo de relações configuradoras do idioma que falamos. Vincula-se a uma verdade de correspondência.

O mesmo não acontece com o discurso literário. Este se encontra a serviço da criação artística. O texto da literatura é um objeto de linguagem ao qual se associa uma representação de realidades físicas, sociais e emocionais mediatizadas pelas palavras da língua na configuração de um objeto estético. O texto repercute em nós na medida em que revele marcas profundas de psiquismo, coincidentes com as que em nós se abriguem como seres sociais. O artista da palavra, co-partícipe da nossa humanidade, incorpora elementos dessa dimensão que nos são culturalmente comuns. Nosso entendimento do que nele se comunica passa a ser proporcional ao nosso repertório cultural, enquanto receptores e usuários de um saber comum.

O discurso literário traz, em certa medida, a marca da opacidade: abre-se a um tipo específico de descodificação ligado à capacidade e ao universo cultural do receptor.

Já se percebe o alto índice de multissignificação dessa modalidade de linguagem que, de antemão, quando com ela travamos contato, sabemos ser especial e distinta da modalidade própria do uso cotidiano. Quem se aproxima do texto literário sabe a priori que está diante de manifestação da literatura.

¹ ANDRADE, Carlos Drummond de. A rosa do povo. In:__Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro/Brasília: J. Olympio/INL, 1983. v. 1, p. 112-3.
² MACHADO DE ASSIS, Joaquim Maria. Memórias póstumas de Brás Cubas. In: __Obra completa. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1959. v. 1, p. 433.

PROENÇA FILHO, Domício. A linguagem literária. Série Princípios. São Paulo: Ática, 2007.

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Cultura

Waldenir Caldas

Certamente, a mais a mais antiga e mais recente obra do homem é a cultura. Desde que existe como espécie até o estádio atual, ele jamais deixou de produzir. O uso das cavernas para abrigar-se das intempéries climáticas, os desenhos e pinturas feitos nas paredes desses abrigos, a fabricação de ferramentas primitivas, a descoberta de um pedaço de madeira como arma, o cultivo do solo para alimentar-se, a produção industrial automatizada, a construção de grandes edifícios, de antigas pirâmides, a realização de uma grande obra literária, a nave que vai ao espaço, o coração, o rim, o fígado e a córnea transplantados, a criação da democracia, o telefone, a televisão e o livro são algumas das realizações do homem. Tudo isto é cultura. A pornografia e a religião são, também, produtos da cultura humana.

Só o sentimento não é uma criação do homem. É algo inato nele. Mesmo assim, há diversas formas de se manifestar um sentimento. A vida e a morte são celebradas de formas diferentes de uma civilização para outra. O beijo na boca tem significados diversos – em alguns lugares ele tem a função de demonstrar o amor do homem pela mulher e vice-versa; entre as população primitiva trobiandeses significa respeito, gratidão e admiração.

A cultura, enfim, é indefinível. Mas é a única obra perene do homem. Sem essa grande obra, o que seríamos? Não é possível imaginarmos nosso destino. Por isso, viva a bússola, viva a escrita e viva o papel. Eles orientaram o homem para o caminho certo: o caminho da comunicação. Nesse caso, viva o gesto também. enfim, que viva o homem, para continuar criando sua obra eterna: a cultura.

O que todo cidadão deve saber sobre cultura. São Paulo: Global, 1986.

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Quais são e onde são faladas as línguas latinas?

HR Idiomas

As línguas latinas são também conhecidas como Românicas. Evoluíram do latim falado por volta do século VII d.C. no sul e oeste europeu.

As chamadas línguas românicas, também conhecidas como línguas neolatinas ou línguas latinas são idiomas que integram o vasto conjunto das línguas indo-europeias que se originaram da evolução do latim, principalmente do latim vulgar, falado pelas classes mais populares.

Atualmente, essas línguas são representadas pelos seguintes idiomas mais conhecidos e mais falados no mundo: o português, o espanhol (também conhecido como castelhano), o italiano, o francês e o romeno. Há, também, uma grande quantidade de idiomas usados por grupos minoritários de falantes, como:

– Nas diferentes regiões da Espanha, onde são falados o catalão (que tem o valenciano como dialeto), o aragonês, o galego, o asturiano e o leonês;

– Em Portugal, onde é falado o mirandês;

– Nas diferentes regiões da Itália, onde são falados o lombardo, o vêneto, o lígure, o siciliano, o piemontês, o napolitano (com as suas variações dialetais) e o sardo;

– No sul da França, onde são falados o occitano (que tem o provençal e o gascão como dialetos), o franco-provençal e outras línguas dialetais derivadas do próprio idioma, como o picardo, o Pictavo-sântone e o normando;

– Na Suíça, onde é falado o romanche.

No extremo norte da França e no sul da Bélgica, são falados dois idiomas também românicos: o valão e o picardo. O dalmático, falado na antiga Dalmácia, na região dos Bálcãs, e o rético, falado na Récia, antiga província do Império Romano localizada ao norte da Itália, são línguas românicas extintas. O rético derivou as chamadas línguas reto-românicas (dentre as quais se inclui o romanche) faladas na Suíça e no norte da Itália.

Dados

Há aproximadamente 900 milhões de pessoas que falam alguma língua românica no mundo, o que faz esse ramo ter o maior número de falantes da família indo-europeia, à frente do ramo germânico, que possui mais de 730 milhões de falantes.

Existem cerca de 330 milhões de falantes nativos do espanhol, 76 milhões do francês, 64 milhões de italiano, 200 milhões de português e 25 milhões do romeno. Em 2015, o espanhol era a terceira língua mais falado por nativos, depois do inglês (380 milhões) e chinês (1.2 bilhões).

O espanhol é a mais falada das línguas latinas. É a primeira língua de vinte países ao redor do globo, e de quase todos os países da América do Sul (com exceção do Brasil). Ou seja, o Espanhol é certamente uma língua útil de se aprender.

Origem do nome

O termo “românico” vem do advérbio do latim vulgar romanice, derivado do latim formal Romanicus: por exemplo, na expressão Romanice Loqui, “falar em Românico” (isto é, no latim vernáculo), contrastando com Latine Loqui, “falar em língua Latina” (em latim medieval, a versão conservadora da língua utilizada na escrita e contextos formais ou como língua franca), e com Barbarice Loqui, “falar em Bárbaro” (as línguas não-latinas dos povos que conquistaram o Império Romano). A partir deste advérbio se originou o substantivo românico, que foi aplicado inicialmente a qualquer coisa escrita em românico, ou no vernáculo romano.

A palavra “romântico” com o sentido moderno de “romance” ou amor tem a mesma origem. Enquanto a literatura medieval da Europa Ocidental era escrita normalmente em latim, os contos populares, muitas vezes centrados no amor, foram compostos no vernáculo, o qual foi chamado “romântico” (românico).

Semelhanças

Existem muitas semelhanças entre as línguas românicas, mas apesar disso, os falantes nativos de cada uma não se compreenderão, a não ser que estudem e aprendam uma outra língua românica. Todas elas no entanto possuem uma clara semelhança ao latim e podem ter suas origens traçadas à língua falada no Império Romano. Elas compartilham muito do vocabulário básico e várias estruturas gramaticais, mas com diferenças fonéticas.

Se você já é familiarizado com a gramática e vocabulário de uma das línguas românicas (como é nosso caso, já que falamos português), terá uma enorme facilidade para aprender uma outra.

O mesmo vale para as línguas germânicas, que inclui o Inglês (380 milhões de falantes nativos), Alemão (100 milhões), Holandês (23 milhões). Os falantes nativos perceberão paralelos entre as línguas e provavelmente terão mais facilidade para aprender uma segunda língua germânica do que uma língua românica. Apesar de que isso não é necessariamente verdade, podem haver exceções.

Grau de evolução

Grau de evolução das línguas românicas a respeito da fonética do latim, segundo os estudos do latinista Mario Pei. Quanto maior a percentagem, mais distante foneticamente a língua é do latim.

  • Sardo: 8%
  • Italiano: 12%
  • Castelhano: 20%
  • Romeno: 23,5%
  • Catalão: 24%
  • Occitano: 25%
  • Português: 31%
  • Francês: 44%

O português e o francês possuem a fonética mais distante do latim. Uma das supostas razões pode ser um substrato céltico nestas línguas. O galego, do qual surgiu o português, teria sofrido influência do idioma lusitano, enquanto o francês teria sido influenciado pelo gaulês (além do forte substrato germânico).

A língua portuguesa possui considerável léxico celta: “beiço” baikkio, “bura/buraco” buras, “calho/cascalho” caliavo, “tolo” tullon, “bugalho” bullaka, “broa” boruna, “berço” berce, “bilha” viria, “banastra/canastra” benna, “bouça” baudea, “coio” crodios, “menino” menno, “minhoca” mîlo (antigo miloca), “légua” leukā, “berro” bekko, “camisa” camisia, “carro” karro etc. Além disso o português falado em Portugal possui o constante som /ð/ forte, presente nas línguas celtas. Essa causa fonética ainda é estudada, e os indícios são grandes e consideráveis na evolução fonética da língua portuguesa.

Também há os sons delicados /ə/ e /ɨ/ que têm abrangência imensa nessas duas línguas (no caso do português, trata-se do dialeto falado em Portugal).

Comparação entre línguas latinas

O artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos em várias línguas:

Latim:
Omnes homines liberi aequique dignitate atque iuribus nascuntur. Ratione conscientaque praediti sunt et alii erga alios cum fraternitate se gerere debent.

Aragonês:
Toz os sers umanos naxen libres y iguals en dinnidá y dreitos. Adotatos de razón y conzenzia, deben comportar-sen fraternalmén unos con atros.

Asturiano:
Tolos seres humanos nacen llibres y iguales en dignidá y drechos y, pola mor de la razón y la conciencia de so, han comportase hermaniblemente los unos colos otros.

Auvernês:
Ta la proussouna neisson lieura moé parira pà dïnessà mai dret. Son charjada de razou moé de cousiensà mai lhu fau arjî entremeî lha bei n’eime de freiressà.

Corso:
Nascinu tutti l’omi libari è pari di dignità è di diritti. Pussedinu a raghjoni è a cuscenza è li tocca ad agiscia trà elli di modu fraternu.

Espanhol:
Todos los seres humanos nacen libres e iguales en dignidad y derechos y, dotados como están de razón y conciencia, deben comportarse fraternalmente los unos con los otros.

Catalão:
Tots els éssers humans neixen lliures i iguals en dignitat i en drets. Són dotats de raó i de consciència, i els cal mantenir-se entre ells amb esperit de fraternitat.

Francês:
Tous les êtres humains naissent libres et égaux en dignité et en droits. Ils sont doués de raison et de conscience et doivent agir les uns envers les autres dans un esprit de fraternité.

Friulano/Friuliano:
Ducj i oms a nassin libars e compagns come dignitât e derits. A an sintiment e cussience e bisugne che si tratin un culaltri come fradis.

Galego:
Todos os seres humanos nacen libres e iguais en dignidade e dereitos e, dotados como están de razón e conciencia, débense comportar fraternalmente uns cos outros.

Italiano:
Tutti gli esseri umani nascono liberi ed eguali in dignità e diritto. Essi sono dotati di ragione e di coscienza e devono agire gli uni verso gli altri in spirito di fratellanza.

Judeu-espanhol:
Kada benadam i benadam nase forro i igual en dinyidad i en derechos. Todos son baale razón i konsiensia i deven komportarsen los unos verso los otros kon fraternidad

Leonês:
Tolos seres humanos nacen llibres y iguales en dinidá y dreitos y, dotaos comu tán de razon y conciencia, débense comportare los unos colos outros dientru d’un espíritu de fraternidá.

Mirandês:
Todos ls seres houmanos nácen lhibres i eiguales an denidade i an dreitos. Custuituídos de rezon i de cuncéncia, dében portar-se uns culs outros an sprito de armandade.

Occitano:
Totes los èssers umans naisson liures e egals en dignitat e en dreches. Són dotats de rason e de consciéncia e se devon comportar los unes amb los autres dins un esperit de fraternitat.

Picardo:
Tos lès-omes vinèt å monde lîbes èt égåls po çou qu’èst d’ leû dignité èt d’ leûs dreûts. Leû re°zon èt leû consyince elzî fe°t on d’vwér di s’kidûre inte di zèle come dès frès.

Português:
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Provençal:
Tóuti lis uman naisson libre. Soun egau pèr la digneta e li dre. An tóuti uno resoun e uno counsciènci. Se dèvon teni freirenau lis un ‘mé lis autre.

Romanche:
Tuots umans naschan libers ed eguals in dignità e drets. Els sun dotats cun intellet e conscienza e dessan agir tanter per in uin spiert da fraternità.

Romeno:
Toate fiinţele umane se nasc libere şi egale în demnitate şi în drepturi. Ele sunt înzestrate cu raţiune şi conştiinţă şi trebuie să se comporte unele faţă de altele în spirit de fraternitate.

Sardo:
Totu sos èsseres umanos naschint lìberos e eguales in dinnidade e in deretos. Issos tenent sa resone e sa cussèntzia e depent operare s’unu cun s’àteru cun ispìritu de fraternidade.

Valão:
Tos lès-omes vinèt-st-å monde lîbes, èt so-l’minme pîd po çou qu’ènn’èst d’leu dignité èt d’leus dreûts. I n’sont nin foû rêzon èt-z-ont-i leû consyince po zèls, çou qu’èlzès deût miner a s’kidûre onk’ po l’ôte tot come dès frés.

Comparação de palavras comuns

PortuguêsLatimItalianoEspanholFrancêsRomeno
homemhomōuomohombrehommeom
mulhermulierdonnamujerfemmemuiere
filhofīliusfigliohijofilsfiu
águaaquaacquaaguaeauapă
fogofocumfuocofuegofeufoc
chuvapluviapioggialluviapluieploaie
noitenox, noctemnottenochenuitnoapte
terraterraterratierraterreţară
céucaelumcielocielocielcer
altoaltumaltoaltohautînalt
novonovumnuovonuevonouveaunou
velhovetulumvecchioviejovieuxvechi
cavalocaballumcavallocaballochevalcal
vacavaccavaccavacavachevacă
cabracapracapracabrachèvrecapră
cãocanemcaneperrochiencâine
fazerfacerefarehacerfaireface
leitelactemlattelechelaitlapte
olhooculumocchioojoœilochi
língualingualingualengualanguelimbă
mãomanummanomanomainmână
pelepellempellepielpeaupiele
pelopiluspelopelopoilpăr
sanguesanguissanguesangresangsânge
unhaungulaunghiauñaongleunghie
pãopanempanepanpainpâine
negroniger, nigrumneronegronoirnegru
euegoioyojeeu
nossonostrumnostronuestronotrenostru
trêstrēstretrestroistrei
quatroquattuorquattrocuatroquatrepatru
cincoquīnquecinquecincocinqcinci
seissexseiseissixşase
seteseptemsettesieteseptşapte
oitooctōottoochohuitopt
novenovemnovenueveneufnouă
dezdecemdiecidiezdixzece

No final, você deve escolher a língua que seja mais útil ou atraente para você. Aprender uma segunda língua será uma das coisas mais incríveis na sua vida.

hr idiomas – 2018

https://hridiomas.com.br/quais-sao-onde-faladas-linguas-latinas/

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Qual a origem do latim e sua importância na atualidade?

Por Josair Bastos

Origem da língua latina

Latino-americanos, nossa origem.
‘Latinus’ foi um dos primeiros reis da região do ‘Latium’, na península Itálica, há quase mil anos antes de Cristo. ‘Latinus’ unificou muitas tribos, espalhando a semente da, ainda rude, língua latina. Tais tribos ficaram conhecidas como tribos latinas. Como Virgílio narra na Eneida, os latinos foram surpreendidos pela chegada de uma tropa, guiada pelo herói Eneias, que adentrou as terras latinas. Eram os troianos fugidos da lendária cidade de Tróia, destruída pelos gregos. Os latinos, apesar de alguns contratempos, admiraram a força e a história dos guerreiros troianos, acolhendo-os e oferecendo-lhes, mais do que terras, a própria filha do rei, Lavínia, para ser a esposa do líder Eneias. Daqui originou-se a descendência profética, da qual seria fundada uma nova Tróia, a cidade eterna, Roma.

O casamento entre Eneias e Lavínia é o símbolo da fusão entre os povos latino e troiano. É desta união que surge a prole fundarora da lendária cidade de Alba Longa e, por fim, da cidade de Roma, por volta de 753 a.C., tendo Romulus como o primeiro rei da histórica cidade romana.

Desde o período anterior à chegada dos troianos até após a fundação de Roma, a língua permanecente foi o que conhecemos por Prisca Latinitas, “Latim Primitivo ou Antigo”. Os habitantes do Latium que viveram anteriormente à fundação de Roma são chamados de Viri prisci, “Homens do tempo antigo”. Segundo a classificação de Isidóro de Sevilha, o latim pode ser dividido em quatro classes “Latinas autem linguas quattuor esse quidam dixerunt”: Prisca- Latim do período dos primeiros reis do Lácio (Juno e Saturno) ao período das Carmen Saliare (hinos sacerdotais).
Latina- Período em que a região do Latium estruturava-se a partir da Lei das doze tábuas, “Lex Duodecim Tabularum” (base do direito romano).
Romana- Período do latim clássico.
Mixta- Uma “mistura entre Latim Clássico e Latim Vulgar.

Segundo Isidóro de Sevilha, o latim pode ser dividido em quatro classes “Latinas autem linguas quattuor esse quidam dixerunt”:

Há outras classificações de divisão da língua latina, mas cabe ressaltar que, apesar das diferenças, não existiu uma barreira linguística suficientemente acentuada para causar um desentendimento completo da variedade linguística. Ou seja, os romanos da época imperial não tinham grandes problemas para compreender os textos mais antigos.
O auge da literatura latina, a Era de Ouro, abrange o primeiro século antes de Cristo, com os consagrados escritores Virgílio, Horácio, Ovídio, Cícero, entre outros. A literatura latina superava, nesta época, a grega. O poeta Propércio, referindo-se à Eneida de Virgílio, escreveu:

nescio quid maius nascitur iliade

‘algo maior que a Ilíada está nascendo’

Latim Eclesiástico

Já no período depois de Cristo, o apóstolo Pedro fundou a Igreja em Roma. Com o propósito de proximidade ao Império Romano, os católicos escolheriam o latim para ser a língua oficial da Igreja. Porém, o uso do latim se dava, apenas, intra muros, não havia a obrigatoriedade ao uso do latim em locais fora de Roma, e a língua grega era bastante usada pelos cristãos.
Ocorre que, quando um sacerdote mudava-se para alguma região aonde o cristianismo ainda não tinha se estabelecido, ele precisava adaptar as celebrações para as novas línguas regionais, o que, além do trabalho hercúleo, o fazia gastar o seu tempo, inutilmente, pois os novos idiomas não possuíam um vocabulário que traduzisse as expressões dos ritos, advindas de uma tradição religiosa milenar com a nova liturgia da Igreja.
Tal fato expôs uma das necessidades de tornar o latim de uso comum a todas a celebrações da Igreja, em qualquer local da terra. Tal fato levou a Igreja a ser uma grande propagadora do latim na Europa.

Latim como instrumento católico

Dois importantes doutores da Igreja no século lV, Ambrósio e Hilário de Poitiers, além do legado deixado em sermões e escritos, foram grandes propagadores da música na liturgia. Trouxeram hinos em latim para a Igreja do Ocidente, dos quais o próprio Santo Agostinho dissera que alegravam e tornavam as celebrações “mais vivas”. Esses hinos contribuíram para o fortalecimento do Credo Niceno, que combatia, principalmente, a heresia ariana (aquela que negava a divindade de Cristo). Confrontando o imperador Valentiniano II, adepto ao arianismo do norte da Itália, Ambrósio elaborou hinos em nome de uma fé católica (catholica fides) entendida como universal e verdadeira.

A língua latina foi sendo talhada até transformar-se na língua litúrgica por excelência. Trazia consigo antigas inspirações da Koiné e do hebraico, enquanto muitos católicos melhoravam velhos hinos, compunham novos, criando um instrumento profundamente eficaz no fortalecimento da fé da Igreja.

Cantar uma música de ação de graças em português, inglês ou qualquer língua vernácula, pode fazer você “rezar duas vezes”, como dizia Santo Agostinho. Mas celebrar e cantar em latim eclesiástico é cantar na língua que existe somente para este fim, qual seja, revelar a presença de Cristo nesta terra. O latim da Igreja não serve para expressar técnicas mecanicistas. O latim eclesiástico também não serve para narrar histórias de romances ou ficção científica. O latim das celebrações existe somente para honrar o Verbo de Deus. Pois o Verbo se fez carne, e é através do latim que a Carne de Cristo se faz Verbo para expressar a Verdade nos hinos e nas celebrações de todos os tempos.

O latim e as línguas modernas

O latim espalhado por vastas regiões foi sendo desmembrado em vários dialetos, até chegar o momento em que não era mais possível dizer que tais dialetos fossem Latim, ainda que muito próximos.

Os dialetos tornavam-se línguas mais bem estruturadas a partir do momento em que grandes autores iam forjando sua literatura, transformando sua rudeza em línguas amplamente usadas, como o espanhol, francês, português, italiano.

No português nós tivemos Luís de Camões. A sua monumental obra Os Lusíadas foi o grande marco divisor entre uma língua rude e uma língua bem estruturada. Podemos afirmar que foi Luís de Camões que forjou a língua portuguesa, assim como Dante Alighieri o fez com o italiano. Apesar da grande semelhança entre o italiano e o latim, foi o dialeto do italiano que Dante escolheu para escrever a Divina Comédia que tornou-se no dialeto predominante daquele país.

Foi o conhecimento da língua latina destes grandes escritores que lhes conferiu a habilidade necessária para estruturar as línguas vernáculas e forjá-las em línguas mais ricas em suas estruturas, ainda que tais línguas não possam alcançar, plenamente, a riqueza do latim.

Dentre todas as línguas românicas, a última flor do Lácio foi o português. De fato, não fora o português a última língua a se desmembrar do latim, ela foi a última a ganhar uma complexidade suficiente para estar ao lado das outras grandes línguas de origem latina. É nesse sentido que podemos dizer que o português é a última flor do Lácio, onde o Lácio é como uma grande roseira donde brotou muitas flores. As flores foram alimentadas pela seiva da roseira. Conhecer a roseira é mais do que simplesmente conhecer melhor a flor; conhecer o latim é mais do que conhecer melhor o português.

Podemos aprender inglês, espanhol ou qualquer outra língua, mas o latim é mais que aprender, o latim é mais que uma língua. A seiva advinda do Lácio revigora, não apenas os nossos idiomas modernos, mas revigora o nosso modo de perceber, de pensar, de compreender a cultura antiga e a cultura de hoje.

Estudos Nacionais.com – Dez/2019.

https://www.estudosnacionais.com/19827/qual-a-origem-do-latim-e-sua-importancia-na-atualidade/

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10 Razões Para Estudar Latim

Josair Bastos

Você pode ter ouvido falar que o latim é uma língua morta. Esta é uma declaração forte e pesada para a maioria dos ouvidos. Os estudiosos, no entanto, usam o termo em um sentido técnico que deixa muito espaço para a especulação. Uma língua “morta” é aquela que não é mais o idioma nativo de nenhuma comunidade, mesmo que ainda seja usada de outras maneiras. Uma língua extinta, por outro lado, é aquela que não possui mais falantes ou uso escrito. Algumas línguas também são chamadas de línguas litúrgicas, porque continuam a ser usadas em contextos religiosos, ou línguas clássicas, que continuam a ser estudadas e lidas através de um rico corpo de literatura antiga.

O latim é uma língua clássica e litúrgica, uma língua morta que nunca morreu. Com isso, queremos dizer que, embora o latim não seja um idioma nativo de alguma comunidade, ele ainda é falado (mesmo que apenas por algumas comunidades) e é comumente estudado e lido por vários motivos benéficos e convincentes.

O latim também vive através das línguas em que deu origem: francês, italiano, espanhol, português e romeno – as línguas românicas. Cerca de 90% do vocabulário dessas línguas vêm do latim. Essas línguas românicas são na verdade formas de latim que evoluíram ao longo dos séculos em várias regiões com alguma interação de outras línguas locais.

Existem muitas boas razões para estudar latim. Aqui está uma lista das dez melhores:

  1. Tornando-se poliglota: como você já deve ter adivinhado, estudar latim é uma preparação fantástica para aprender e tornar-se fluente em um ou mais idiomas do romance. Portanto, aprender latim é começar um estudo de seis idiomas ao mesmo tempo.
  2. Vocabulário e gramática do inglês: estudar latim prepara os alunos para o domínio do inglês. Os estudantes de latim normalmente obtêm a melhor nota nos testes de vocabulário em inglês! Isso não surpreende, pois 50% do inglês é derivado do latim – com mais de 80 das palavras polissilábicas derivadas do latim. A gramática regular do latim também é ideal para esclarecer a maneira como todos os idiomas, incluindo o inglês, funcionam. Do mesmo modo, o estudante de latim alcança o domínio da língua portuguesa, que possui muito mais similaridades com a língua latina que o inglês).
  3. As profissões: latim prepara os alunos para várias profissões importantes que são mergulhadas em palavras latinas ou inglesas derivadas do latim. Isso inclui direito, medicina, ciência, música, teologia, filosofia, arte e literatura, entre outras.
  4. Escrever e Ler: um vocabulário e uma compreensão gramatical mais ampla permitem que os alunos escrevam e leiam com maior facilidade e clareza.
  5. Literatura: o latim permite que os alunos tenham melhor acesso à literatura, repleta de referências e citações em latim.
  6. História: o latim permite que os alunos compreendam e apreciem melhor o Império Romano, que teve efeitos profundos e contínuos na civilização ocidental. Além disso, a história da arte e da arquitetura está repleta de latim, e monumentos e artes em todo o mundo são frequentemente agraciados com o latim.
  7. Ótima literatura: o latim permite que os alunos desfrutem de algumas das publicações mais influentes do mundo – no idioma original. Aprender latim bem o suficiente para ler obras latinas originais é uma habilidade alcançável e transmite grande satisfação e prazer.
  8. Virtude educacional: o estudo do latim é uma prática contínua na solução de quebra-cabeças linguísticos que geralmente ajuda os alunos a se tornarem leitores e escritores próximos e cuidadosos. Muitos acreditam que geralmente também aprimora as faculdades mentais, cultivando cuidadosa análise e atenção. Quando perguntado a um conhecido pesquisador de câncer, Dr. Charles Zubrod (que ajudou a desenvolver tratamento quimioterápico para pacientes com leucemia), o que o havia melhor preparado para uma vida de pesquisa médica, ele respondeu: “estudando latim e grego quando criança”.
  9. Prazer: decifrar o “código secreto” do latim, ver as palavras por trás das palavras, aprender a resolver quebra-cabeças e ler grandes autores em sua própria língua são todos prazeres que durarão a vida inteira dos alunos.
  10. Aprendizado simultâneo: como você pode ver, estudar latim é uma maneira de fazer estudos avançados em várias áreas simultaneamente. É por isso que a consideramos uma arte mestra – como uma ferramenta, ela permite dominar outras coisas, outros assuntos. Não é de admirar que tenha sido matéria obrigatória nas escolas durante séculos.

Espero que, ao revisar a lista acima, você veja como o latim ainda está muito vivo – ele vive na sua língua agora, afirmando-se com todas as outras palavras que você fala. Espero que você faça um estudo dessa língua e apresente a seus filhos também. Embora seja um estudo desafiador, ele trará vida ao aprendizado e abrirá uma dúzia de portas diferentes em tantos caminhos aventureiros.

(Texto adaptado da matéria 10 Reasons to Study Latin, de Christopher Perrin)

Estudos Nacionais.com – Jan/2020.

https://www.estudosnacionais.com/20453/10-razoes-para-estudar-latim/

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A busca pela mãe de todas as línguas

Os três mil idiomas atuais podem ter a mesma origem. Na busca pela língua-mãe, pesquisadores descobrem semelhanças incríveis que talvez não sejam coincidências.

Recolhido a seus aposentos numa certa noite do fim do século VII a.C., Psamético, um dos últimos faraós do Egito, que reinou de 664 a 610 a.C., refletia sobre as línguas que os homens falavam. Sua riqueza e diversidade, as semelhanças e as diferenças entre as palavras, as pronúncias, as inflexões de voz, tudo o fascinava – principalmente a ideia de que essa multiplicidade tinha uma origem comum, uma língua-mãe falada por toda a humanidade num tempo muito remoto, como afirmavam as lendas da época. O faraó imaginou então uma experiência engenhosa e cruel. Convencido de que, se ninguém ensinasse os bebês a falar, eles se expressariam naquele idioma original, determinou que dois irmãos gêmeos fossem tirados da mãe logo ao nascer e entregues a um pastor para que os criasse. O pastor recebeu ordens severas, sob pena de morte, de jamais pronunciar qualquer palavra na presença das crianças.

Quando completaram dois anos, o faraó mandou que se deixasse de alimentá-las, na suposição de que a pressão da fome faria com que pedissem comida em sua “língua natural”. Não se sabe bem o que aconteceu, mas tudo indica que o pastor, movido pela compaixão, não fez exatamente o que lhe havia sido ordenado. Pois o inverossímil relato enviado ao faraó informava que um dos meninos, faminto, havia pedido pão em cíntio, idioma falado antigamente na região que viria a ser a Ucrânia, na União Soviética. Assim, satisfeito com o desfecho da impiedosa pesquisa, Psamético decretou que o cíntio era a língua original da humanidade. Por incrível que pareça, a experiência seria repetida dezenove séculos mais tarde. O idealizador foi o rei germânico Frederico II (1194-1250), que pelo visto não se convenceu das conclusões do faraó. Certamente vigiado mais de perto, o experimento resultou no inevitável: os dois gêmeos morreram.

De Psamético I aos dias de hoje, passando por Frederico II, muitos outros homens igualmente curiosos se perguntaram qual teria sido e como seria possível reviver o idioma do qual brotaram todos os demais. Essa indagação se transformou modernamente numa área de pesquisa de ponta em Linguística, a ciência que estuda a evolução das línguas, suas estruturas e possíveis inter-relações no quadro histórico e social. Os estudos viriam confirmar a crença dos antigos. Segundo o linguista Cidmar Teodoro Pais, da Universidade de São Paulo, a comparação entre as várias línguas do planeta, tanto as ainda faladas quanto as já desaparecidas, revela efetivamente algumas características comuns que apontam para a possível existência de uma língua primeira, mãe de todas. Nesse ponto, a Linguística parece se afinar com as mitologias que descrevem a dispersão das línguas pelo mundo.

A mais conhecida delas é a história bíblica da Torre de Babel. Segundo o Antigo Testamento, a multiplicação das línguas foi um castigo de Deus à pretensão dos homens de construir uma torre cujo topo penetrasse no céu. As lendas chinesas contam que a divisão da língua original fez com que o universo “se desviasse do caminho certo”. Na mitologia persa, Arimã, o espírito do mal, pulverizou a linguagem dos homens em trinta idiomas. E um dos livros sagrados dos maias, o Popol Vuh, lamenta: “Aqui as línguas da tribo mudaram – sua fala ficou diferente. (…) Nossa língua era uma quando partimos de Tulán. Ai! Esquecemos nossa fala”.

Hoje muitos linguistas estão empenhados em passar da lenda à verdade histórica, mas a tarefa é de extrema dificuldade. O exercício da Linguística como ciência, por sinal, está longe de ser uma atividade simples ou compensadora. Ao contrário, linguistas frequentemente passam anônimos pelo mundo, ao contrário de outros escavadores do passado humano, como os arqueólogos e paleontólogos. Grandes nomes da Linguística deste século, os franceses Ferdinand de Saussure, Émile Benveniste e o americano Noam Chomsky são ilustres desconhecidos para o público leigo. “Definitivamente”, resigna-se o linguista Flávio di Giorgi, da Universidade Católica de São Paulo, “esta ciência que se faz debruçado sobre manuscritos antigos, inscrições ou reconstituições de línguas não tem qualquer vocação para ser popular”.

Para quem gosta, porém. é um prato cheio. “Já me diverti muito estudando Linguística”, conta Teodoro Pais, um professor de óculos de lentes grossas, fala mansa e hábitos metódicos, no ramo há trinta de seus cinquenta anos de vida. Afinal, os atuais cinco bilhões de seres humanos se comunicam recorrendo a um estoque de cerca de três mil línguas espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Essas, mais outros milhares já esquecidas que deixaram algum tipo de registro escrito, foram agrupadas em doze famílias linguísticas importantes e cinquenta menos importantes.

Essas duas grandes arrumações familiares aparentemente nada têm em comum – e eis aí a suprema dificuldade dos pesquisadores: eles farejam semelhanças onde o que salta aos olhos são diferenças. As buscas, contudo, têm o estímulo das barreiras já derrubadas. Quem diria, por exemplo, que há algum parentesco, embora remoto, entre o português e o sânscrito, uma língua falada na Índia há milhares de anos, e ainda a sua versão moderna, o hindi? E, no entanto, o parentesco existe.

Descobriram os linguistas que esses idiomas descendem de um mesmo e único tronco, o indo-europeu, pertencendo portanto à grande família das línguas indo-europeias que inclui também o grego, o armênio, o russo, o alemão, entre muitas outras. Hoje, aproximadamente a metade da população mundial tem como língua nativa um idioma dessa família. Foi justamente a descoberta do parentesco entre o sânscrito e as línguas europeias, no século XVIII, que fez nascer a Linguística histórica, dedicada a investigar essas similaridades. A tese da origem comum foi proposta em 1786 por Sir William Jones, um jurista inglês cujo passatempo era estudar as culturas orientais. A partir de então, os linguistas europeus passaram a se dedicar a duas tarefas: uma, refazer passo a passo a árvore genealógica dessa família, trilhando a história de sua evolução; outra, reconstituir a língua perdida que dera origem a todas, o indo-europeu. Esse trabalho não se faz às cegas, ou por ensaio e erro. A pesquisa percorre o caminho aberto pelas leis linguísticas, resultantes de outros estudos, que mostram como os sons e os sentidos das palavras evoluem com o tempo, promovendo a transformação das línguas. Essas leis são estabelecidas a partir de comparações entre palavras. Por exemplo, do latim lacte e nocte vieram as formas leite e noite. Comparando-se os termos, percebe-se que o “c” (/k/) das palavras em latim virou “i” (/ĭ/) nos vocábulos em português. No século passado, o trabalho dos linguistas se apoiou fortemente numa lei formulada em 1822 pelo alemão Jacob Grimm (1785-1863), mais conhecido pelos contos de fadas que escreveu com seu irmão Wilhelm, entre os quais “Branca de Neve e os Sete Anões”.

A lei de Grimm afirmava ser possível prever como alguns grupos de consoantes se modificariam com o tempo nas línguas indo-europeias. Entre outras coisas, ele dizia que uma consoante forte ou sonora (pronunciada fazendo-se vibrar as cordas vocais) tendia a ser substituída por sua equivalente fraca ou surda (pronunciada sem vibração das cordas vocais). As consoantes /b/ e /p/ constituem um par desse tipo, assim como /d/ e /t/. As /b/ e /d/ são fortes, /p/ e /t/ são fracas, como se pode comprovar, pronunciando-as com a mão na garganta. Com base nessas leis, foi possível mostrar, por exemplo, que a forma dhar em sânscrito, que significa puxar, trazer, originou o inglês draw, o alemão tragen, o latim trahere e o português trazer, todos com significado semelhante. O fonema /d/ da palavra em sânscrito virou /t/ nas outras línguas. Pode-se concluir ainda que a palavra em inglês evoluiu menos que nas demais, pois se manteve fiel ao som original do sânscrito.

Os linguistas puderam assim “estabelecer um modelo confiável das relações familiares entre as línguas”, conta o paulista di Giorgi, “construindo um modelo bastante aceitável do que teria sido a língua ancestral – o proto-indo-europeu”. O que se ambiciona, porém é uma descoberta muito maior. Dispondo das reconstituições dos ancestrais de grande parte das famílias mais importantes, os linguistas tentam achar relações entre as próprias protolínguas. O primeiro e maior obstáculo é justamente o material de que dispõem. Apesar de resultarem de cuidadosa montagem científica, as protolínguas não passam de modelos, pouco mais que sombras do que terão sido as línguas antigas. Algo como um dinossauro de museu em relação ao bicho verdadeiro.

“Nesse ponto, a análise avança com base na cultura, pois não se dispõem mais de documentos escritos”, explica Teodoro Pais, da USP, que conhece sânscrito e gostava de trocar cartas com os colegas em proto-indo-europeu. Toda língua produz e reflete cultura e não é à toa que, fundamentados nas palavras reconstituídas da protolíngua, os pesquisadores podem inferir com razoável margem de confiança os hábitos do povo que a falava. Com esses dados é possível construir pontes até outros grupos aparentemente não relacionados. Por exemplo, tanto nas línguas indo-europeias quanto no grupo semítico, as palavras homem e terra originalmente se confundem. Em hebraico, são respectivamente adam e adamah, ambas derivadas de uma raiz comum em proto-semítico.

Em proto-indo-europeu, a palavra dheghom tem os dois significados. A parte final originou o latim homo (homem) e humus (terra, solo). Assim, embora não haja parentesco etimológico algum entre as palavras semíticas e indo-europeias, é clara a semelhança quanto à maneira de pensar e classificar o mundo entre as populações de ambos os grupos linguísticos. As mais recentes descobertas da Arqueologia e até da Genética conduzem à mesma ideia: é possível agrupar as grandes famílias em famílias ainda maiores, um avanço formidável na busca da língua-mãe. Há mais de vinte anos, os linguistas russos Vladislav M. Illich Svitch e Aron Dolgopolsky propuseram que o indo-europeu, o semítico e a família das línguas dravídicas da Índia poderiam fazer parte de uma superfamília, chamada então nostrática. Na época, o trabalho foi encarado com desconfiança. Depois, ganhou alguma aceitação nos meios científicos. Há pouco, enfim, uma descoberta da Genética parece ter dado nova projeção ao trabalho dos soviéticos.

A partir de análises de grupos sanguíneos de várias populações, a equipe do geneticista Allan C. Wilson, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, concluiu que há um grande parentesco genético entre os falantes das línguas indo-europeias, semíticas e dravídicas. Isso quer dizer que, ocupando uma vastíssima porção do planeta, da Ásia às Américas, eles têm mais em comum entre si do que, digamos, com os japoneses ou os esquimós. Essa descoberta coincide de forma espantosa com a teoria da superfamília nostrática. Em outra frente, pesquisas arqueológicas e linguísticas estão finalmente determinando o local de origem do proto-indo-europeu – um dos objetivos dos linguistas desde o século passado.

Até os anos quarenta, os pesquisadores acreditavam que o berço do indo-europeu estava situado no norte da Alemanha e da Polônia. Essa teoria, sustentada por deduções bastante ingênuas, foi usada nada ingenuamente pelos nazistas para confirmar sua teoria de que a raça tida como pura dos arianos surgira ali mesmo. Os linguistas imaginavam que, se fosse possível estabelecer um pequeno vocabulário comum à maioria das línguas indo-europeias, estariam diante de algumas palavras localizadoras, sobreviventes do proto-indo-europeu, em cuja terra natal seriam ainda faladas. Uma dessas tentativas estabeleceu três palavras localizadoras – tartaruga, faia (uma árvore) e salmão. O único lugar onde todas elas podiam ser encontradas era uma área da Europa Central entre os rios Elba, Oder e Reno, na Alemanha, de um lado, e o Vístula, na Polônia, de outro. Ali havia salmões, tartarugas e faias. Não havia tartarugas ao norte da fronteira alemã, faias a leste do Vístula nem salmões a oeste do Reno. O método acabou desacreditado, pois muitas das palavras localizadoras estão sujeitas a mudanças de sentido, não sendo portanto instrumentos confiáveis.

As pesquisas mais recentes afirmam que o proto-indo-europeu era falado há cerca de seis mil anos na Ásia e não na Europa Central. Dois trabalhos, um do americano Colin Renfrew, outro dos soviéticos Thomas Gamkrelidze e V. V. Ivanov, concordam ao apontar o berço do indo-europeu como o planalto da Anatólia, uma região que vai da Turquia à República da Armênia, que faz parte da União Soviética. Dali, movidos pela busca de terras férteis e de novos campos de caça, os indo-europeus migraram, há uns cinco milênios, seja para a Europa, seja para a Ásia. A corrida à procura da língua-mãe está apenas começando mas desde já nessa aventura científica não faltam algumas descobertas insólitas.

Uma delas é a incrível semelhança de palavras entre as línguas indígenas da América pré-colombiana e idiomas falados pelos povos do Mediterrâneo e Oriente Médio. Por exemplo, os índios araucanos do Chile usam a mesma palavra que os antigos egípcios, anta, para designar o Sol e a mesma palavra que os antigos sumérios, bal, para machado. A palavra araucana para cidade é kar, semelhante a cidade em fenício, que é kart. Há mais: a palavra maia thallac, que designa “o que não é sólido”, é semelhante a Thallath, o nome da deusa do caos na antiga Babilônia. Curiosamente, thallac lembra ainda thalassa, mar em grego, e Tlaloc, o deus asteca da chuva. Shapash, o deus-sol dos fenícios, é também o deus-sol dos índios klamath, no Oregon, Estados Unidos. Essas misteriosas semelhanças escapam a qualquer tentativa de classificação. Mas, como disse certa vez Albert Einstein, o mistério é a fonte de toda verdadeira ciência. Desde que, para resolvê-lo, não seja preciso negar comida a crianças, como fizeram um faraó egípcio e um rei germânico.

Superinteressante (Adaptado). https://super.abril.com.br/comportamento/em-busca-da-lingua-mae/